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    • O Manacá da Serra
    • A lembrança de um lugar pode mudar tudo a nossa volta. Até mesmo um manacá da serra pode nos dizer algo.


      Foi num convento Jesuíta, em Minas, que guardo uma grande recordação. Uma lembrança que persiste nitidamente dentro de mim. Uma lembrança quase real, ainda posso me ver chegando naquelas estradas de terra com poucas casas à sua volta. Parecia me sentir o único a desbravar tudo a minha volta. Talvez um pioneiro. Alguns poucos trabalhadores rurais que me viam passar rapidamente de carro, ficavam espiando de longe, admirando, não sei, talvez olhando para os dois padres que estavam comigo, ou quem sabe, quisessem dizer algo sobre aquele convento que passaria o fim de semana. Enquanto pensava nisso, assistia a mais bela paisagem de campos floridos e montanhas verdejantes. Não me esqueço de nenhum detalhe. E lá no alto, estava ele, o convento, um casarão imponente, cheio de lembranças históricas, com seu estilo rústico, talvez barroco, não sei bem, imenso em dois andares e pavimentos gigantescos. De longe eu via as paredes pintadas em cor azul do céu com grandes janelões. Majestoso. Da janela bem alta se via um imenso jardim com seus ares celestiais. O piso de madeira formado por mosaicos motivava grande reflexão. Os pássaros nas beiradas dos telhados pareciam confortados. Um belo espetáculo. Quando chegamos, o rosto alegre dos padres descendo as escadas do casarão liderando uma pequena fileira de seis jovens vocacionados. Ainda me lembro da acolhida, me senti esperado, mesmo extasiado pela viagem ainda ouço o canto dos irmãos ecoar ritmado em minha alma. E no abraço fraternal meus olhos ao longe vislumbrava que crescia próxima a janela do quarto que me hospedaria, um pé de manacá com flores roxas e brancas. Há mais ou menos doze metros de altura. Ela estava lá pra mim, me esperando. Exclusivamente. No alto e quase encobria a janela da frente. Lembro-me do ar puro que respirava. Da simplicidade delas com suas danças quando o vento passava. Mais tarde, o padre havia de me contar dela. Do manacá. Que ocorre exclusivamente em matas secundárias, não ali. Mas, no Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo. Da imensa sala de visitas que era o menor cômodo do convento. Pouca mobília, uma velha cômoda e uma penteadeira bem antiga. Muitos quadros pela parede. Tão alta parede. Gostava de ficar olhando para eles e desvendá-los durante a noite. Eram feições humanas pintadas pelos antigos padres que moravam naquele lugar. Tinha um ar angelical. Isso me fascinava. Haveria de conhecer a sensibilidade que se aflorava em minha alma. Tudo me envolvia naquele universo. Uma atmosfera límpida que revelava certa mística dos antigos santos. Ao lado, no canto uma porta que ficava sempre fechada. Em madeira bem gasta pelo tempo dando uma tonalidade acinzentada. Era o porão. Não ouvi falar muita coisa dali. Então me desliguei dele. Sentia em cada minuto algo vibrar por dentro, impregnado pelo mistério que me abrigava. Lembro-me da chuva daquela madrugada fria; a oração dos padres na capela; a canja de galinha cobiçada na ceia fraterna, as histórias antigas e os barulhos a noite. Havia no meu quarto uma janela que dava acesso ao jardim. E ficava horas contemplando o jardim da janela do quarto. O manacá que havia de se criar naquelas regiões. Na companhia dos anjos, vivia cada instante que Deus me proporcionava. Tudo resplandecia o Sagrado. E por isso eu tratava cada momento com esmero e cuidado. O Padre que dirigia o convento era dócil e hábil com os vocacionados. O ajudamos a cuidar do jardim que era cultivado por ele. Era o jardim mais bonito que já vi. Aprendi muito com ele. Principalmente sobre o manacá. Disse ele comparando: “olhe para o manacá, apresenta diversas cores e que mudam a coloração. Para crescerem precisam de muita dedicação. As sementes germinam entre 20 a 30 dias. Mas quando crescem querem atingir o alto. Pense sempre nelas e encontrará as respostas”. O casarão estava recheado de antiguidades dos antigos padres e beatos que passaram por ali. Tudo na casa reluzia. Desde a madeira encerrada até os castiçais de cristal que refletiam a força do sol que os atingia por entre as cortinas. Suspirei e desviei o olhar para a imagem de Santo Inácio de Loyola, que me olhava tentando me influenciar. Mais tarde conheceria os seus primeiros planos de Exercícios Espirituais. Onde todos os jesuítas são atirados. Deus oferecia grandes oportunidades. A oportunidade de ir para qualquer lugar do mundo a serviço da Igreja. Uma oportunidade rara. Isso me consumia por dentro. Sobe das missões deles no mundo. Havia um forte sentimento de dizer sim naquela hora. Alguns amigos já haviam se entregado ao caminho. Sentia grande angústia em fazer algo também. O tempo estava bom. Tinha um sentido extraordinário. Não havia palavras para descrever a forte ligação que existia. Dava-me a sensação de que o momento era aquele. Não queria forjar o meu chamado. Os padres faziam o que podiam para nos ajudar com as tantas dúvidas. Conversavam horas, liam-se livros, orações. Falavam-nos dos métodos de evangelização, dos carismas da congregação, dos mártires e beatos. Sentia-me privilegiado. A serenidade e a modéstia deles me impressionavam. Com o ar incrivelmente jovem e com um ótimo bom humor, ficaria sentado ali por semanas, meses, surpreendido e agradado a sua companhia. O padre dizia: “há um longo caminho a trilhar; há muitas estradas; no final todos chegaram em seus destinos; alguns mais rápidos, outros não; mas todos chegaram..” A conversa conduziu a uma série de descobertas. Enquanto ele falava, éramos tocados profundamente. A nossa amizade se solidificava. Eu não punha objeções. Sabia que estava diante de um tesouro secreto, que estava bem perto de mim, que podia ter acesso a ele, cada vez que me entregava intensamente e deixava-me conduzir pelo Espírito de Deus que me guardava dos temores e angustias. Por que razão haveria de impor limites a Ele? Havia interesses em comum. Não emitia qualquer comentário, nem interesse particular. Se assim fizesse, teria sido mais difícil de explicar. Absorvia o desejo Divino e me saciava Dele. Minha alma alimentava-se da mais plena beleza de Deus que nunca haverá nada de igual profundidade. Eu tinha a consciência de Sua realidade Divina, sempre tive. Estava cada vez mais Nele. Permitia-me, intimamente, servir-me de Sua Sagrada Revelação. Ao ponto de querê-lO cada vez mais. Ia encarando a vocação de modo diferente. De uma forma que ignorava até então. De uma forma que me fazia fugir de mim mesmo, fingindo que não existiria outra forma de ser. Estava sendo curado naquele momento. Concentrava em mim tão grande força, que me fazia afastar de todo tipo de visão que tinha sobre o assunto. E que podia viver meu caminho espiritual até mesmo casado, em família. Passei não mais optar por nada. Nem tampouco manipular minhas vontades. Preferi me afastar emocionalmente de qualquer faceta que pudesse enfraquecer-me. Passei a ocupar-me do silêncio e da oração. Não queria mais me convencer de nada. Estava nas mãos de Deus, meu confidente. Quando as pessoas me perguntavam algo sobre minha vocação, evitava falar explicitamente dos meus sentimentos. Chegaram até pensar que estava me afastando das pessoas. Mas não era isso. Amadurecia algo dentro de mim. Parecia estar enraizado em algo, agora, muito mais profundo. As pessoas se aproximavam cada vez mais e as experiências aumentavam também, e amava isso. Vivi apaixonadamente pelos amigos que faziam parte da minha história. Da família, irmãos, parentes e vizinhos. Naquela altura da escolha restou apenas desculpar-me comigo mesmo. Por tanta demora e sofrimento. Desculpar-me com Deus por tanto egoísmo de querer fazer a minha vontade. Senti que havia algo a mais nisso. O Senhor havia me tocado de novo. Tratava-me de um jeito único. Caía o grande muro que me separava da resposta definitiva. Daquilo que imaginava ser o mais perfeito. O perfeito é fazer a vontade de Deus. Quando a descobrimos tomamos posse do grande tesouro que sempre esteve lá. E a sua importância se manifesta, se consolida se a mantivermos. Fui atraído pelo alívio daquele doce momento. Que amolecia ligeiramente o meu coração. Poucos foram capazes. Não havia mais tantas dúvidas. Cuidei do meu zelo com extremo, apesar de ser calmo até demais. Mergulhei com amadurecimento nas águas do Espírito em constante vigília. Genuinamente preocupado em fazer a vontade de Deus. Mesmo que custassem muitas barreiras e dificuldades. Mas dentro de mim enquanto houvesse a paz que brota do Mistério de Deus e a alegria, continuaria, a saber, certamente que esse é o caminho. O melhor que deveria fazer era o de continuar. Lembrei-me das palavras daquele padre jesuíta: “quando há um longo caminho a trilhar e há muitas estradas não se preocupe, no final todos chegaram a seus destinos; alguns mais rápidos outros não; mas todos chegaram.” Hoje eu me lembrei daquele convento. Lembrei-me do manacá. Da sabedoria daquele padre que disse: “olhe para o manacá, apresenta diversas cores e que mudam a coloração. Para crescerem precisam de muita dedicação. As sementes germinam entre 20 a 30 dias. Mas quando crescem querem atingir o alto. Pense sempre nelas e encontrará as respostas”. Será que ela ainda esta lá no mesmo lugar? Nem sei se está. Posso vê-la nitidamente com cada detalhe. Estranha a atração que tenho dela, o manacá. Como exerce sobre mim tamanha reflexão. Como se tivesse uma ligação transcendental que jamais vai se romper. Nesse convento eu descobri muitas coisas. Que toda resposta vem quando nos dedicamos a buscá-la. Buscar no lugar certo. Buscar em Deus. Somos atraídos por Sua Admirável beleza e depois germinamos, nascemos e crescemos Nele até atingirmos Seu esplendor. Crescemos na direção certa. Crescemos para o Alto. Essa é a explicação. A lembrança de um lugar pode mudar tudo em nossa vida. Até mesmo um manacá pode falar das coisas do Alto. Estará sempre lá, num canto da memória, intacto, nunca apagará. Santo Inácio já dizia: “Porque, assim como passear, caminhar e correr que fazemos todos os dias deve ser os exercícios espirituais. Mesmo que caminhe por vários lugares diferentes. Olhe ao redor e contemple tudo o que ver. Você se prepara e se afasta a procura de encontrar a direção: a vontade de Deus. Na disposição que for para o bem de si mesmo até chegar ao ponto de começar de novo a procurá-lo”. Olhe para o manacá, apresenta diversas cores e que mudam a coloração. Para crescerem precisam de muita dedicação. As sementes germinam entre 20 a 30 dias. Mas quando crescem querem atingir o alto. Pense sempre nelas e encontrará as respostas mais intrigantes”.

       
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