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    • A Mística de um Retiro Espiritual
    • O meu dia começou quando o despertador tocou pouco depois das três horas da manhã.


      O meu dia começou quando o despertador tocou pouco depois das três horas da manhã. Lembro que fiquei extremamente agitado. Coloquei um braço para fora do lençol tentando desligá-lo. Queria volta a dormir. Pensei, não é preciso levantar. Tentei dormir novamente. E então um barulho lá fora no corredor me chamava atenção. E de novo, pensei, “quem será?”. Sentei-me na cama e fiquei tentando me convencer que havia me comprometido em rezar naquela hora. Levantar-me em plena madrugada para rezar e me dedicar à contemplação Divina. Foi o primeiro contato com esse estilo de vida. Era preciso ganhar tempo. Era necessário estar pronto para a grande mensagem. Este é o fundamento do retiro espiritual dos frades conventuais. A vida de oração contemplativa unida à fraternidade e o trabalho entre os irmãos do convento. O objetivo dos retiros que eles promoviam, era justamente oferecer aos vocacionados um caminho devocional, uma vida ordenada, a leitura orante do Ofício Divino que chamam de hora solene, para estarmos individualmente inseridos no mistério de Deus. Para os frades essa é a melhor profissão de fé que nos leva aos meios naturais de vida fraterna, santa e humilde. Aprendi muito com os frades. Descobri que a oração é a forma mais solene de consagração. Quando você reza, está revelando a mais plena vontade de se unir a vontade Divina. Renunciar as horas dos homens para se entregar ao tempo da Graça que irá conduzi-lo. Dessa forma, você acolhe o convite de Deus estando pronto para cumprir Sua vontade Divina. Uma forma de santificar as nossas horas e a dos irmãos. Recordamos o Amor de Jesus Cristo e o louvamos. Intercedemos pelos vocacionados, pois a hora de decidir-se esta próxima. Agradecemos a Deus pela guarda do sono noturno que tivemos e pedimos perdão pelas faltas que tivemos no dia anterior. Mas o Ofício mais importante acontece com a Santa Missa celebrada às oito da manhã, onde Deus se revela Divinamente em comunhão conosco. É a resposta de Deus pronunciada efetivamente nas santas leituras proclamadas em voz baixa. Alguém batia na porta do meu quarto. Com um suspiro, atendi com um leve bocejar. Era um dos frades com um sorriso feito alguém muito realizado. Os seus olhos pareciam brilhar e sua expressão despertava em mim a certeza de que eu estava no lugar certo. Não queria mais voltar a dormir e esquecer tudo. A sua voz me parecia familiar. Esbocei também a alegria de recebê-lo em meu quarto àquela hora. Pensei, que santidade!! Conhecia bem os religiosos, sempre soube da alegria que vivem. Mas, as três hora da madrugada era uma hora estranha para se encontrar alguém capaz de revelar felicidade e bom humor. Qualquer um seria capaz de se contagiar com aquela acolhida. Pensei, não há nada melhor nessa vida. Deus se fazia novo naquela manhã. Estava construindo em meu coração um desejo tão profundo que ultrapassava os limites de uma dúvida vocacional, apenas. Quase conseguia ouvir Sua Voz a esforçar-Se por me manter ali. Eu sabia que tinha que fazer muito por mim mesmo. Sabia bem. Não podia mais depender das escolhas dos outros. Sabia bem que isso não traria respostas. O clima religioso favorecia uma reflexão. E eu nem pensava mais nas coisas que me afastavam de tomar alguma decisão. Era difícil pensar no mundo lá fora. Senti como se eu estivesse ali há meses. Atrevi-me e pensei, com um ligeiro sorriso, desta vez é sério. Aquele dia seria um grande dia. Estava tudo bem, tudo certo. Posso dizer que já estava convencido. Depois de todo esse silêncio, uma palavra escapou ao frade. E antes que eu concluísse a frase, fui interrompido pelo frei que disse, fique tranquilo, tenha paciência. Como ele sabe que vai dar tudo certo? Pensei em silencio. Parecia ter-me decifrado. Na mesma hora olhei para um crucifixo que estava pendurado na parede do corredor e por alguns segundos imaginei qual deveria ter sido a sensação de São Francisco de Assis quando entrou naquela igrejinha na Itália e o crucifixo do altar começou a falar com ele. Certamente admiração, encantamento e medo. Sem saber exatamente o significado daquela mensagem. Então, Francesco, jovem, semidestruído por tantas dúvidas, lá permaneceu inquieto, ouvindo o repetir das mesmas santas palavras. Iniciava a reconstrução de seu interior que estava em ruínas, precisava dar sua vida em troca de muitas almas. Pensei Senhor, não consigo sentir outra coisa em meu coração!! Minha alma parecia saltar na direção da cruz. Havia me desligado de tudo naquele momento. Já não via e nem ouvia ninguém como antes. O que ainda restaria de mim naquele dia? Apenas lembro que despertei quando estava sentado na ponta da cama e com a respiração funda simplesmente olhava para as montanhas lá fora, depois dos vidros da janela de meu quarto. Os meus pensamentos estavam a quilômetros dali. À distância de uma vida. E ia despertando lentamente ouvindo a voz do frei a me chamar. Como podia ele não estar ali? Teria ele desaparecido por um minuto? Ainda há tão pouco tempo o ouvia me chamar batendo em minha porta do quarto? Cheio de alegrias, acolhida e com todos os dons de proporcionar momentos maravilhosos. Pensei, será loucura minha? Nunca havia acontecido algo dessa forma. E a principio a ideia de ter sido uma loucura me parecia divertido. Até comecei a me sentir um grande idiota. Não dizia nada sobre essas coisas e para mim eu não tinha nada para falar. Mas no meu interior, heroicamente, sempre os enfrentei. Também seria impossível não fazer, assim como seria impossível fitar-se do sol. Não era mais como antes, não sabia bem o quê, sabia apenas que estava sentindo que chegava o tempo cada vez mais rápido. Esperava por algo que nunca havia esperado em toda minha vida. Trocando segredos, entre a fé e a razão, dois universos tão distantes de uma só pessoa um tanto ingênua. Trocando ideias entre o hoje e o amanhã. Realizando experiências inarráveis. Mais da metade dos meus dias só pensava nisso. Habituei-me com isso. E na medida em que os dias passavam, os fatos direcionavam para uma só resposta. Para todo tipo diferente de ver as coisas. E cada vez mais avançava sem impor limites. As pessoas diziam tantas coisas, mas não me importava com isso. Aceitava tudo em silêncio e apenas escrevia num pequeno caderno que recordo agora partilhando com vocês por aqui. E terminei descrevendo as nuvens do céu daquele dia, com a brisa em meu rosto, pensei, um dia vou falar ao mundo como é bom ver o sol nascer de novo.. Uma estrada nova surgia além das colinas da razão humana, faziam desaparecer no horizonte a indiferença humana com suas controvérsias. Um cenário Majestoso que me dava mil motivos de ir atrás desse Mistério que nunca esteve distante. Sentir-me livre a sair descalço das ideologias perturbadoras e correr com os pés no riacho da natureza nova que emergia, fora das muralhas que impediam e dificultavam o nascer de novo, o refúgio, a mística e o afago. Os frades sempre estiveram certos: essa é a melhor profissão de fé que nos leva aos meios naturais de vida fraterna, santa e humilde. A uma oração nova de forma solene. A realização plena da vontade de se unir a Santa vontade. Numa entrega nova, numa hora Santa, diferente das as horas humanas no tempo da Graça que direciona e conduz do jeito dela. Você apenas acolhe o convite de Deus e fica esperando todo nele pronto para cumprir Sua vontade. Obrigado Senhor pelos frades conventuais!!!

       
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