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    • Misteriosa atração
    • Quando eu entrei naquela Catedral nem imaginava o que estava para acontecer


      Me lembro do céu daquele dia. Estava tão belo e brilhante e aquele azul revela algo além do natural. A brisa do vento sobre o meu rosto suavizava o meu semblante acentuado a ponto de me fazer fechar os olhos e viajar para algum lugar longe de toda as agitações dos meus dias tumultuados. Quando comecei a subir as escadas da Catedral Metropolitana, na região Central da cidade, procurei gravar cada detalhe daquele momento, olhava para todos os lados, para todas as pessoas que passavam rapidamente pela enorme praça que cercava o Templo, antes que eu pudesse enfim entrar na Igreja e me encontrar com uma das primeiras surpresas que começavam emergir sobre minha vida. Lembro que sentia fortes sensações em meu corpo. Tudo estava carinhosamente perfeito. Não me esforcei para saber porque eu estava ali ou o que havia me atraído misteriosamente. Eu apenas queria aproveitar cada instante. Me entusiasmava a idéia de estar despreparado para o que poderia vir pela frente. Isso nunca havia acontecido comigo. Durante semanas eu passava pela frente daquela Igreja e simplesmente olhava do lado de fora e sentia de certo modo, uma admiração, por sua beleza e história, mas não era só isso. Durante algum tempo eu cheguei a pensar que fosse isso, sempre fui católico de berço, e ainda garoto, eu costumava ir as missas com a família e cheguei até ajudar o padre sendo um dos seus coroinhas. Isso eu nunca esqueci. Mas depois, a gente vai crescendo e na juventude acaba sendo tragado pelo canto das sereias deste mundo e nos afastamos um pouco das coisas, das pessoas, ficamos despersos, deixamos de meditar, até o dia em que você é surpreendido por algo que jamais pensou. E foi assim naquela manhã. Fiquei ali parado, um longo tempo olhando, ainda do lado de fora, uma variedade de imagens de santos reunido nos vidros na frente da Igreja, e logo na entrada, na parte de dentro, vi imagens em resina, gesso, e lá fora na praça, imagens em metal. Comecei a pensar na vida daqueles santos e por que haviam se tornado um deles. Era impossível não se envolver. Dei alguns passos na direção da entrada e fiquei esperando que alguém viesse recepcionar minha chegada. Mas não veio ninguém e por um minuto eu pensei que tudo já tivesse terminado. Estava enganado. Suspirei e resolvi procurar por alguém. Era dia de semana, a Igreja ficava aberta para as pessoas entrarem, rezarem, tirarem dúvidas na secretaria e, é claro, se confessarem com o padre. Mas antes que eu pudesse imaginar qualquer coisa e tomasse alguma atitude impensada, me sentei e ainda silenciosamente, fui envolvido por imagens em telas pintadas por artistas da região, que retratava nos quadros a Via-Sacra, além dos pequenos vitrais que sinalizavam a Santa Ceia a alegoria dos Anjos e a Anunciação. Fiquei ali durante horas seguidas temendo perder os detalhes. E lá no Altar, de uma forma muito particular, naquela circunstância, o semblante amoroso de Deus pregado numa cruz revelava o motivo de tudo aquilo. Para que eu pudesse me dar conta de que eu não estava absolutamente só. Decidi me aproximar da Cruz, agora cheio de respostas senão o silêncio e a contemplação. Um silêncio que o leva a gritar por dentro. Algo que te feri profundamente. Um drama sentido na alma, meditado, levado até Ele, um sentir esperado por Ele, um convite inexplicável, sendo amado na condição que está; onde encontramos conforto, dignidade e cura. Eu sempre gostei de ir a Igreja, mas nunca daquele jeito. Ao lado do Crucificado, havia uma imagem que também me chamou atenção. Me aproximei para vêr melhor o que era. Era a imagem de São Dimas, que havia primeiramente cometido muitos erros mas quando colocado na cruz, ao lado do Sagrado Amor, foi separado das coisas passadas, a Cruz o separou. Tocado pelo Amor, diante da Cruz se entregou a Graça do Alto. Admiravelmente perdoado e amado até o fim. Reconheceu Aquele que estava próximo, acessível, palpável, revelado. Não precisa nem dizer a vocês que eu voltei aquele lugar outras vezes, certo? Eu não sabia ainda o que viria depois disso. Exatamente para onde eu estava sendo conduzido. Quando eu entrei naquela Catedral eu não sabia o que estava para acontecer.

       
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