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    • Que vocação devo seguir?
    • Uma rápida olhada para a varanda do mosteiro me causou um forte desejo de passar a noite toda por ali


      Finalmente o ônibus havia chegado. Era uma noite fria no final do mês de Julho. Uma pequena cruz na parte mais alta do Mosteiro, típico gótico, revelando sua principal característica meditativa. Ali viveram nos séculos passados os monges cistercienses, em seguida, os frades conventuais. Mas agora são os franciscanos que cuidavam do convento, específico para retiros vocacionais. Em uma área isolada, com pouca luminosidade, os detalhes arquitetônicos e os elementos decorativos, abóbadas, arcos, janelões, tiravam suspiros dos jovens que estavam comigo retirados de seus familiares para uma busca pessoal sobre que vocação seguir. Logo na entrada do convento, no portal principal, decorado com estátuas dos santos franciscanos e, no alto em relevo Jesus Cristo e os Apóstolos. Em silêncio fomos conduzidos até uma grande sala iluminada por velas, e totalmente imóvel, alguns frades nos acolhiam alegremente. Apenas olhávamos sem nenhuma reação aparente. Tomei a iniciativa de cumprimentar os religiosos ao som dos sinos que anunciavam nossa chegada, e foi o único som que ouvimos até então. Estava com o coração aberto. Havia esperado muito aquele dia. Percebi que havia disciplina entre os frades. Então comecei a criar várias conclusões sobre o caminho espiritual que nos leva a Deus. Uma rápida olhada para a varanda do mosteiro me causou um forte desejo de passar a noite toda por ali, contemplando a lua e as estrelas e aonde levaria aquela pequena trilha de pedras espalhadas pela margem. Fui tomado por um grande desejo de seguir aquele caminho que sumia até a floresta escura. Eu não conseguiria dormir sem olhar de perto. Fui conduzido por um religioso até meu quarto que falou apenas três palavras, boa noite filho. Obedeci e entrei em silencio. O quarto era estreito, mas o teto bem alto de madeira pintado a branco, naquela noite fria o quarto estava bem quentinho. Havia um janelão de madeira rústica que dava acesso para a parte de trás do convento. O chão era esteirado e no canto uma mesa de estudos com duas gavetas, em cima uma cruz, uma vela, fósforos e nada mais. Fui até a janela e havia muito silêncio lá fora. Resolvi acender a vela para rezar. Tentando buscar a paz para dormir. Pensei, no momento certo, saberei o que fazer. E quando será o momento? Insisti. Quando vou estar pronto? Frisei. Realmente, todas as interrogações de juventude começavam a incomodar. Estava inquieto. Aquilo começou a se tornar algo fixo em minha mente. Senti como se estivesse andando em círculos. Recusava-me a dormir sem respostas. Falei com Deus: “quando estarei pronto?”. Lembrei-me das palavras de um padre amigo, “a fruta amadurece, nós colhemos e saboreamos”. No fundo eu sabia que tudo tem seu momento. Quando eu estiver pronto Deus vai falar em meu coração. Fiquei em silencio e dentro de mim as ideias começavam dar-me pistas. Que o significado daquele lugar traria as respostas. Mas, primeiro era preciso continuar caminhando. Eu era muito jovem, havia um desejo de entrega a Deus. Iniciava em grupos vocacionais tentando entender o que Deus queria para mim. Tinha acabado de ler Santo Afonso de Ligório que meditava sobre a vocação sacerdotal ou religiosa: “ se perguntas como escolher um estado de vida, faça retiros fechados, reze, não espere que alguém lhe mostre a vocação que deva seguir para corresponder a Deus; os exercícios espirituais foram criados para clarear a nossa escolha”. E Santo Afonso termina, “nos retiros fechados, no silêncio e na oração, encontrarás a resolução”. Meus olhos brilhavam, havia um encantamento e muita felicidade. Deus estava falando. Dormi em paz e quase não acordei com as batidas na porta do quarto. Nem preciso dizer que foram os melhores dias que passei. Santo Afonso tinha razão, por isso sou muito ligado a retiros fechados, pois a tantos outros que fiz, devo a minha conversão diária e resolução das opções que tive. Nunca mais me esquecerei daquele mosteiro. Foi o primeiro de tantos que ainda faria. Quantas pessoas ainda haveria de conhecer, quantas experiências, quantas histórias, quantas dúvidas. E o coração? Cada dia mais caloroso e entregue. Conservava a ingenuidade da época da adolescência que encontrava razão para todos os fins. Sim, Deus havia se instalado em minha alma e agradava-me todas as vezes que O perguntava: “que vocação devo seguir?”. Com graciosidade movimentava-me por todas as partes..Encontro vocacionais diversos, entre os jesuítas, franciscanos, em dioceses, nas paróquias, com padres, irmãs, e leigos.. Deus se encantava com minhas buscas. Uma verdadeira benção, muito além do que imaginava. Ele me conduziu até as verdes pastagens e como um Bom Pastor soube cuidar de mim. No entanto, por muitas vezes, a decisão que haveria de tomar era dolorosa. Pequenas renúncias, Ele sempre insistiu tanto! Puxou-me para Si e ternamente ao meu lado Se confortou. Quanto tenho a dizer sobre isso meu Senhor! Docemente e respeitosamente feristes meu coração com Teu amor. E agora, ainda hoje, me parece ocupar-Se ainda dos meus devaneios!!!

       
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