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    • petersondecarvalho
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    • Que vocação devo seguir?
      • Uma rápida olhada para a varanda do mosteiro me causou um forte desejo de passar a noite toda por ali


        Finalmente o ônibus havia chegado. Era uma noite fria no final do mês de Julho. Uma pequena cruz na parte mais alta do Mosteiro, típico gótico, revelando sua principal característica meditativa. Ali viveram nos séculos passados os monges cistercienses, em seguida, os frades conventuais. Mas agora são os franciscanos que cuidavam do convento, específico para retiros vocacionais. Em uma área isolada, com pouca luminosidade, os detalhes arquitetônicos e os elementos decorativos, abóbadas, arcos, janelões, tiravam suspiros dos jovens que estavam comigo retirados de seus familiares para uma busca pessoal sobre que vocação seguir. Logo na entrada do convento, no portal principal, decorado com estátuas dos santos franciscanos e, no alto em relevo Jesus Cristo e os Apóstolos. Em silêncio fomos conduzidos até uma grande sala iluminada por velas, e totalmente imóvel, alguns frades nos acolhiam alegremente. Apenas olhávamos sem nenhuma reação aparente. Tomei a iniciativa de cumprimentar os religiosos ao som dos sinos que anunciavam nossa chegada, e foi o único som que ouvimos até então. Estava com o coração aberto. Havia esperado muito aquele dia. Percebi que havia disciplina entre os frades. Então comecei a criar várias conclusões sobre o caminho espiritual que nos leva a Deus. Uma rápida olhada para a varanda do mosteiro me causou um forte desejo de passar a noite toda por ali, contemplando a lua e as estrelas e aonde levaria aquela pequena trilha de pedras espalhadas pela margem. Fui tomado por um grande desejo de seguir aquele caminho que sumia até a floresta escura. Eu não conseguiria dormir sem olhar de perto. Fui conduzido por um religioso até meu quarto que falou apenas três palavras, boa noite filho. Obedeci e entrei em silencio. O quarto era estreito, mas o teto bem alto de madeira pintado a branco, naquela noite fria o quarto estava bem quentinho. Havia um janelão de madeira rústica que dava acesso para a parte de trás do convento. O chão era esteirado e no canto uma mesa de estudos com duas gavetas, em cima uma cruz, uma vela, fósforos e nada mais. Fui até a janela e havia muito silêncio lá fora. Resolvi acender a vela para rezar. Tentando buscar a paz para dormir. Pensei, no momento certo, saberei o que fazer. E quando será o momento? Insisti. Quando vou estar pronto? Frisei. Realmente, todas as interrogações de juventude começavam a incomodar. Estava inquieto. Aquilo começou a se tornar algo fixo em minha mente. Senti como se estivesse andando em círculos. Recusava-me a dormir sem respostas. Falei com Deus: “quando estarei pronto?”. Lembrei-me das palavras de um padre amigo, “a fruta amadurece, nós colhemos e saboreamos”. No fundo eu sabia que tudo tem seu momento. Quando eu estiver pronto Deus vai falar em meu coração. Fiquei em silencio e dentro de mim as ideias começavam dar-me pistas. Que o significado daquele lugar traria as respostas. Mas, primeiro era preciso continuar caminhando. Eu era muito jovem, havia um desejo de entrega a Deus. Iniciava em grupos vocacionais tentando entender o que Deus queria para mim. Tinha acabado de ler Santo Afonso de Ligório que meditava sobre a vocação sacerdotal ou religiosa: “ se perguntas como escolher um estado de vida, faça retiros fechados, reze, não espere que alguém lhe mostre a vocação que deva seguir para corresponder a Deus; os exercícios espirituais foram criados para clarear a nossa escolha”. E Santo Afonso termina, “nos retiros fechados, no silêncio e na oração, encontrarás a resolução”. Meus olhos brilhavam, havia um encantamento e muita felicidade. Deus estava falando. Dormi em paz e quase não acordei com as batidas na porta do quarto. Nem preciso dizer que foram os melhores dias que passei. Santo Afonso tinha razão, por isso sou muito ligado a retiros fechados, pois a tantos outros que fiz, devo a minha conversão diária e resolução das opções que tive. Nunca mais me esquecerei daquele mosteiro. Foi o primeiro de tantos que ainda faria. Quantas pessoas ainda haveria de conhecer, quantas experiências, quantas histórias, quantas dúvidas. E o coração? Cada dia mais caloroso e entregue. Conservava a ingenuidade da época da adolescência que encontrava razão para todos os fins. Sim, Deus havia se instalado em minha alma e agradava-me todas as vezes que O perguntava: “que vocação devo seguir?”. Com graciosidade movimentava-me por todas as partes..Encontro vocacionais diversos, entre os jesuítas, franciscanos, em dioceses, nas paróquias, com padres, irmãs, e leigos.. Deus se encantava com minhas buscas. Uma verdadeira benção, muito além do que imaginava. Ele me conduziu até as verdes pastagens e como um Bom Pastor soube cuidar de mim. No entanto, por muitas vezes, a decisão que haveria de tomar era dolorosa. Pequenas renúncias, Ele sempre insistiu tanto! Puxou-me para Si e ternamente ao meu lado Se confortou. Quanto tenho a dizer sobre isso meu Senhor! Docemente e respeitosamente feristes meu coração com Teu amor. E agora, ainda hoje, me parece ocupar-Se ainda dos meus devaneios!!!

      • answered by petersondecarvalho on 11/29/2012
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    • A Cura de Helena
      • Quando fui apresentado a Helena por sua mãe, não pude avaliar bem a amplitude e a profundidade de seu drama pessoal


        “Não aguento mais isso”, disse a jovem Helena; “está muito difícil para mim”; Tornou a desabafar com o semblante abatido e depois começou a chorar. Helena era uma jovem muito atraente e com apenas 29 anos, já tinha problemas no casamento. Inteligente e com um futuro promissor no trabalho. Seus pais muito atenciosos, gente de fé, já demonstravam preocupações com a filha que vivia apenas o segundo ano de matrimônio. Todos os familiares viam claramente que Helena estava com problemas. Seu esposo, Mario, dedicava-se o máximo entre o trabalho e a família. Era representante de uma grande multinacional e por alguns dias precisava se ausentar de casa. Também estava preocupado. Não conseguia entender os motivos da esposa. Segundo ele, não havia razões para tais comportamentos. Em seguida partilhou das frequentes discussões com Helena. Mais tarde, descobri que todos os problemas dela estavam relacionados com a primeira coisa que ela havia dito antes. Sufocada pela forte ansiedade e a tensão que a empurrava cada vez mais ao precipício daquela misteriosa enfermidade, algo precisava ser feito e antes que chegasse a um nível mais alto e grave. Ela já havia procurado alguns profissionais e prosseguiu com bons especialistas que fizeram vários exames. Em nenhum deles se constatou qualquer anomalia, do tipo distúrbios de personalidade ou psicoses subjacentes. Nenhuma disfunção foi detectada. O problema estava relacionado com a primeira coisa que ela dissera. Sua vida estava pesada demais para suportar. Como qualquer inimigo oculto, no seu problema “difícil demais”, os riscos eram enormes. Aquilo podia se transformar numa grande ameaça para sua vida, para o seu casamento e sua família. Certamente muito perigoso e por isso fui buscar amparo em Deus. Em seguida procurei um amigo padre, profundo conhecedor e pesquisador no exercício do mistério da cura interior que muito contribuiu em todo o processo. Helena estava emocionalmente atordoada. Era algo mais forte que ela e ganhava ritmo e velocidade. Senti medo e aumentei minhas orações. Sua luta e sofrimento não eram diferentes de outras pessoas que conheci pelos lugares que andei. Mas, no caso de Helena, pude despertar para a mais nova descoberta até então, sobre a compreensão dos laços comuns que temos uns com os outros. Refiro-me as heranças psicológicas, físicas e espirituais que passam geneticamente na linha do tempo familiar. Todas as evidências apontavam para isso e confesso, tratava-se de um campo inédito para mim. Mas chegava a hora de arrancar o disfarce do problema e revelar o monstro seriamente prejudicial que a impedia de viver normalmente. Quando fui apresentado a Helena por sua mãe, numa noite calorosa e festiva de um grupo de oração carismático que comemorava mais um ano, não pude avaliar bem a amplitude e a profundidade de seu drama pessoal. Era preciso mais do que uma apresentação. Era preciso conversar em algum lugar apropriado. Lembro que fomos rezar na capela da Igreja. Na oração, fiquei em silêncio. Isso significa muito numa hora dessas. Porque se há algo a se fazer, mas ainda não sei o que é, porque não conheço, está oculto, reconheço minha fragilidade e total dependência de Deus no caso. Naquela noite, senti que Helena estava presa a algo, como se tivesse possuída por fortes sentimentos de sobrecarga. Em minhas orações, abria-se o mais novo horizonte para a pesquisa e a mais nova reflexão sobre a cura hereditária. Suas heranças negativas que vieram geneticamente através da linha do tempo familiar. Das antigas gerações. Helena sempre esteve envolvida demais com o esposo e com a família. Mas, de repente se viu isolada de todos. E passou a acreditar que seu afastamento pudesse trazer certo conforto a ela. Ao contrário, aumentava cada vez mais as exigências. E a quantidade de cobranças crescia nitidamente, com isso, também, o estresse, a irritação e a incapacidade de relaxar. Distanciou-se da religião, da prece e da paz. Sempre teve consciência de que não estava certa, mas, sua incapacidade de pedir ajuda atingia um nível frustrante. Mais tarde, admitiu que, embora tivesse consciência dos valores cristãos, simplesmente não conseguia colocá-los em prática. Enganava-se pensando se tratar de algo irrelevante. Por isso aliou-se ao erro e omitiu os sentimentos. Mais tarde, ela disse, “foi quando eu vi a chegada de um grande fantasma horrível a me atormentar. Tentei disfarçar dizendo para mim mesma, isso não é um problema”. Disse também, que buscou afirmar suas mentiras, usando das estratégias que dispunha para anular o problema, tais como, livros de autoajuda ou de técnicas do poder da mente. Mas, sem sucesso algum. Já havia chegado ao estado de sobrecarga. Estressada, exaurida e incapaz de acompanhar aquele ritmo acelerado, viu-se ameaçada por tamanho impacto de violência emocional, mas ainda não era o ponto crítico. E foi nesse momento que a conheci através de sua mãe naquela noite de oração. Quando a sua compreensão não funcionava mais. Quando a sensação de entupimento fragmentava sua autoestima. Era preciso “descomprimi-la”. Essa foi a palavra usada na hora, em função de um imagem que havia se formado em oração. Exatamente como fazemos ao tirar roupas velhas de uma grande mala de viagens. Era preciso desfazer as malas de sua consciência e descomprimir todo o conteúdo emocional e hereditário que pouco faltava a estourá-la. E por isso dou graças a Deus por tantas curas que presenciei em todo o processo. Nessa hora, vemos o quanto somos amados por Deus. O quanto somos queridos por Ele. Diante de algo que estava encoberto pela hereditariedade, somente Deus podia tocá-la profundamente. Havia algo, hermeticamente fechado nela. No seu interior, oculto, em algum lugar na sua fonte hereditária que nunca fora descoberto. Muitas feridas antigas, não resolvidas e herdadas geneticamente. Reduzi meus dias de folga e aumentei a minha intercessão. E na palavra, vinham as respostas. (conf. Romanos 7, 15). Tratava-se de informações não acessíveis. Fui encorajado a uma constante prática de intercessão, pois se tratava de um estado alterado. Vivi a vida daquela família, sendo amigo, enquanto observava suas evoluções de maneira muito especial e devota. E lentamente, Helena ia se rendendo ao Amor de Deus, que a tocava com a Graça Curadora. Gentilmente, livremente, libertando-a. Tamanha expectativa a fazia se entregar cada dia mais e quando abrimos as portas da fé em nossa vida, nos rendemos amorosamente aos cuidados do Bom Pastor, com isso, as possibilidades são ilimitadas para encantarmos com Ele. Sublime Intervenção!!! Helena afinava no canto novo da vida. Na relação nova com o Divino e de muitas maneiras. Despertava do sono profundo e submetia ao encontro sagrado entre a água e o Espírito. Um renascimento. Sublime Intervenção Divina!!! Que mesmo sendo o Único (FL 2,11) portador de todo o mérito, quis precisar desde o começo das minhas limitadas colaborações. Deu-nos do Teu espírito, para que com Ele, pudéssemos ser animados na missão. Sublime Intervenção!!! Grandeza, somos teus (Rom 8,17; Gl 4,7). Dizia meu amigo padre, “somente assim, através dos dons do Espírito que perscruta as mentes e os corações e discerne todas as necessidades mais profundas que podemos conhecer o que há de ser curado, como foi com Helena”. Tão logo, pude contemplar os frutos dessa cura. Lá estava ela, livremente, em paz, curada, ao lado do esposo, na fila da comunhão. Celebração mais sublime não há!!! Eu vi Helena, numa noite festiva e calorosa a celebrar mais nova superação. E por outro lado, minha mais nova reflexão sobre a pesquisa nessa área que, tenha certeza, jamais conseguirei atingir a plenitude de todas as respostas diante de inumeráveis interrogações que ainda guardo desde aquele misterioso dia. “És Tu Espírito que conduz e orna de virtudes especiais e reparte conosco Seus dons espirituais como Lhe apraz (1 Cor 12,11)”.

      • answered by petersondecarvalho on 11/22/2012
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    • Misteriosa atração
      • Quando eu entrei naquela Catedral nem imaginava o que estava para acontecer


        Me lembro do céu daquele dia. Estava tão belo e brilhante e aquele azul revela algo além do natural. A brisa do vento sobre o meu rosto suavizava o meu semblante acentuado a ponto de me fazer fechar os olhos e viajar para algum lugar longe de toda as agitações dos meus dias tumultuados. Quando comecei a subir as escadas da Catedral Metropolitana, na região Central da cidade, procurei gravar cada detalhe daquele momento, olhava para todos os lados, para todas as pessoas que passavam rapidamente pela enorme praça que cercava o Templo, antes que eu pudesse enfim entrar na Igreja e me encontrar com uma das primeiras surpresas que começavam emergir sobre minha vida. Lembro que sentia fortes sensações em meu corpo. Tudo estava carinhosamente perfeito. Não me esforcei para saber porque eu estava ali ou o que havia me atraído misteriosamente. Eu apenas queria aproveitar cada instante. Me entusiasmava a idéia de estar despreparado para o que poderia vir pela frente. Isso nunca havia acontecido comigo. Durante semanas eu passava pela frente daquela Igreja e simplesmente olhava do lado de fora e sentia de certo modo, uma admiração, por sua beleza e história, mas não era só isso. Durante algum tempo eu cheguei a pensar que fosse isso, sempre fui católico de berço, e ainda garoto, eu costumava ir as missas com a família e cheguei até ajudar o padre sendo um dos seus coroinhas. Isso eu nunca esqueci. Mas depois, a gente vai crescendo e na juventude acaba sendo tragado pelo canto das sereias deste mundo e nos afastamos um pouco das coisas, das pessoas, ficamos despersos, deixamos de meditar, até o dia em que você é surpreendido por algo que jamais pensou. E foi assim naquela manhã. Fiquei ali parado, um longo tempo olhando, ainda do lado de fora, uma variedade de imagens de santos reunido nos vidros na frente da Igreja, e logo na entrada, na parte de dentro, vi imagens em resina, gesso, e lá fora na praça, imagens em metal. Comecei a pensar na vida daqueles santos e por que haviam se tornado um deles. Era impossível não se envolver. Dei alguns passos na direção da entrada e fiquei esperando que alguém viesse recepcionar minha chegada. Mas não veio ninguém e por um minuto eu pensei que tudo já tivesse terminado. Estava enganado. Suspirei e resolvi procurar por alguém. Era dia de semana, a Igreja ficava aberta para as pessoas entrarem, rezarem, tirarem dúvidas na secretaria e, é claro, se confessarem com o padre. Mas antes que eu pudesse imaginar qualquer coisa e tomasse alguma atitude impensada, me sentei e ainda silenciosamente, fui envolvido por imagens em telas pintadas por artistas da região, que retratava nos quadros a Via-Sacra, além dos pequenos vitrais que sinalizavam a Santa Ceia a alegoria dos Anjos e a Anunciação. Fiquei ali durante horas seguidas temendo perder os detalhes. E lá no Altar, de uma forma muito particular, naquela circunstância, o semblante amoroso de Deus pregado numa cruz revelava o motivo de tudo aquilo. Para que eu pudesse me dar conta de que eu não estava absolutamente só. Decidi me aproximar da Cruz, agora cheio de respostas senão o silêncio e a contemplação. Um silêncio que o leva a gritar por dentro. Algo que te feri profundamente. Um drama sentido na alma, meditado, levado até Ele, um sentir esperado por Ele, um convite inexplicável, sendo amado na condição que está; onde encontramos conforto, dignidade e cura. Eu sempre gostei de ir a Igreja, mas nunca daquele jeito. Ao lado do Crucificado, havia uma imagem que também me chamou atenção. Me aproximei para vêr melhor o que era. Era a imagem de São Dimas, que havia primeiramente cometido muitos erros mas quando colocado na cruz, ao lado do Sagrado Amor, foi separado das coisas passadas, a Cruz o separou. Tocado pelo Amor, diante da Cruz se entregou a Graça do Alto. Admiravelmente perdoado e amado até o fim. Reconheceu Aquele que estava próximo, acessível, palpável, revelado. Não precisa nem dizer a vocês que eu voltei aquele lugar outras vezes, certo? Eu não sabia ainda o que viria depois disso. Exatamente para onde eu estava sendo conduzido. Quando eu entrei naquela Catedral eu não sabia o que estava para acontecer.

      • answered by petersondecarvalho on 11/20/2012
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    • As escolhas são sempre difíceis
      • Eu sabia que o vento suave daquela manhã dizia tudo


        Me lembro daquele dia. O sol estava tão forte que me fazia apertar os olhos, embora fosse ainda cedo.Já podia sentir um vento suave invadir a minha alma, talvez tentando anunciar algo. Senti uma espécie de agonia, um silêncio até assombroso, e só o que eu ouvia eram os pássaros lá fora, repentinamente. Era ainda muito jovem, cheio de expectativas, dúvidas e interrogações. Buscava respostas e sentido para minha vida. Era comum ficar horas no quarto pensando. Nesse dia, eu estava a muito tempo rezando de olhos fechados e quando os abri, fiquei olhando fixamente para a minha imagem refletida no espelho. E não me parecia muito agradável. Estava pálido, tão diferente da imagem que mantinha da porta do quarto para fora. Talvez por causa das cobranças que havia feito a Deus naquela oração. Me olhava e não via nada de vistoso ou empolgante. Sim, me sentia imobilizado. Parecia um daqueles jovens frustrados procurando por algo muito valioso e, não encontrando, começa a se olhar de um jeito que você olha sem vêr nada. Entra em uma espécie de crise ainda mais quando se vê diante de novas oportunidades. As escolhas são sempre difíceis porque pressupõem renúncias e a escolha por algo, fazemos parecer uma coisa de outro mundo. Mas, insisti, fechei os olhos novamente, quase apertando as pálpebras, e mesmo querendo que os meus olhos nunca mais abrissem, eles não me obedeceram. Foi quando ouvi uma voz falando bem baixinho, dizendo a certa distância, alguma coisas do tipo "por quê você diz não estar sentindo nada?". Abri os olhos de repente, separando as pálpebras com rapidez, fui então ofuscado por um instante pela poderosa força do sol que irradiou e brilhou sobre mim, enquanto tentava recuperar a visão. Vi então um lampejo de luz sobre o rico jardim de flores que embelezavam a entrada da minha casa. Olhei e pude me lembrar novamente daquela Catedral no centro da cidade e que precisava novamente visitá-la. Tudo o que eu havia esquecido estava voltando a tona. Voltei a esperar de novo tanta coisa e me esforcei tanto e por isso fui tão longe. E agora lá estava eu, depois de meses, como foi da primeira vez, na mesma Catedral, com o mesmo sorriso, como foi antes, com os olhos atentos, parecia impossível de acreditar, estava acontecendo tudo de novo. Sentindo tudo outra vez, sentado ali no banco da Igreja, esperando, sentindo e amado. Se eu estivesse demorado cem anos para voltar ali, Ele teria esperado por mim. O meu ar não estava mais denso, sufocado, não me sentia mais oprimido, sem forças ou sem esperança. Minha feição era outra. Dali em diante resolvi nunca mais seguir minhas ilusões de juventude.O brilho que explodia dos meus olhos, o riso na voz quando eu cantava para o mundo. Era de novo um jovem cheio de motivações, no melhor sentido e mais puro da palavra. Havia me tornado um jovem que todas as pessoas queriam se agarrar, meu rosto refletia um segredo que os amigos confiavam, mas, aquilo ainda era tão pouco, perto do que ainda haveria de acontecer. O que a maioria dos amigos não entendiam, era que os meus olhos não estavam ali procurando por algo impessoal, instintivo.O que eu queria não estava ali, haveria de encontrar. Não buscava mais viver papeis. Havia ocasiões em que eu confessava abertamente que o que queria não era algo impossível de se querer. Dizia que eu estava esperando o grande dia. Havia descoberto um caminho de espiritualidade. E depois de uma longa conversa com um padre italiano, homem penitente e devoto. Um Anjo enviado por Deus naquele momento, e até nos tornamos grandes amigos de fé, por isso fazia tudo o que me ensinava. O padre sabia das coisas e acertou muitas delas.Pena não estar mais entre nós. Sim, ele está na Glória.Todos que o viam buscavam aproximação, só por um instante, ansiavam por estar perto dele, dentro do círculo de seu afeto, todos queriam ouvir suas mensagens. Grande místico e santo que Deus me deu por dois anos. Coisas que acontecem quando estamos em busca. Foi ele que me ensinou sobre os Exercícios Espirituais que ele chamava de "Pedidos Urgentes" para "Entregas Imediatas"..Quando tomamos consciência de que a grande realização dependerá única e exclusivamente de você. Falaremos sobre isso outra hora. Eu sabia que o vento suave daquela manhã tentava anunciar algo. Deus é alguém que nos surpreende repentinamente. Eu confio nos anjos que vivem entre nós feito humanos!!!

      • answered by petersondecarvalho on 11/20/2012
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    • A Mística de um Retiro Espiritual
      • O meu dia começou quando o despertador tocou pouco depois das três horas da manhã.


        O meu dia começou quando o despertador tocou pouco depois das três horas da manhã. Lembro que fiquei extremamente agitado. Coloquei um braço para fora do lençol tentando desligá-lo. Queria volta a dormir. Pensei, não é preciso levantar. Tentei dormir novamente. E então um barulho lá fora no corredor me chamava atenção. E de novo, pensei, “quem será?”. Sentei-me na cama e fiquei tentando me convencer que havia me comprometido em rezar naquela hora. Levantar-me em plena madrugada para rezar e me dedicar à contemplação Divina. Foi o primeiro contato com esse estilo de vida. Era preciso ganhar tempo. Era necessário estar pronto para a grande mensagem. Este é o fundamento do retiro espiritual dos frades conventuais. A vida de oração contemplativa unida à fraternidade e o trabalho entre os irmãos do convento. O objetivo dos retiros que eles promoviam, era justamente oferecer aos vocacionados um caminho devocional, uma vida ordenada, a leitura orante do Ofício Divino que chamam de hora solene, para estarmos individualmente inseridos no mistério de Deus. Para os frades essa é a melhor profissão de fé que nos leva aos meios naturais de vida fraterna, santa e humilde. Aprendi muito com os frades. Descobri que a oração é a forma mais solene de consagração. Quando você reza, está revelando a mais plena vontade de se unir a vontade Divina. Renunciar as horas dos homens para se entregar ao tempo da Graça que irá conduzi-lo. Dessa forma, você acolhe o convite de Deus estando pronto para cumprir Sua vontade Divina. Uma forma de santificar as nossas horas e a dos irmãos. Recordamos o Amor de Jesus Cristo e o louvamos. Intercedemos pelos vocacionados, pois a hora de decidir-se esta próxima. Agradecemos a Deus pela guarda do sono noturno que tivemos e pedimos perdão pelas faltas que tivemos no dia anterior. Mas o Ofício mais importante acontece com a Santa Missa celebrada às oito da manhã, onde Deus se revela Divinamente em comunhão conosco. É a resposta de Deus pronunciada efetivamente nas santas leituras proclamadas em voz baixa. Alguém batia na porta do meu quarto. Com um suspiro, atendi com um leve bocejar. Era um dos frades com um sorriso feito alguém muito realizado. Os seus olhos pareciam brilhar e sua expressão despertava em mim a certeza de que eu estava no lugar certo. Não queria mais voltar a dormir e esquecer tudo. A sua voz me parecia familiar. Esbocei também a alegria de recebê-lo em meu quarto àquela hora. Pensei, que santidade!! Conhecia bem os religiosos, sempre soube da alegria que vivem. Mas, as três hora da madrugada era uma hora estranha para se encontrar alguém capaz de revelar felicidade e bom humor. Qualquer um seria capaz de se contagiar com aquela acolhida. Pensei, não há nada melhor nessa vida. Deus se fazia novo naquela manhã. Estava construindo em meu coração um desejo tão profundo que ultrapassava os limites de uma dúvida vocacional, apenas. Quase conseguia ouvir Sua Voz a esforçar-Se por me manter ali. Eu sabia que tinha que fazer muito por mim mesmo. Sabia bem. Não podia mais depender das escolhas dos outros. Sabia bem que isso não traria respostas. O clima religioso favorecia uma reflexão. E eu nem pensava mais nas coisas que me afastavam de tomar alguma decisão. Era difícil pensar no mundo lá fora. Senti como se eu estivesse ali há meses. Atrevi-me e pensei, com um ligeiro sorriso, desta vez é sério. Aquele dia seria um grande dia. Estava tudo bem, tudo certo. Posso dizer que já estava convencido. Depois de todo esse silêncio, uma palavra escapou ao frade. E antes que eu concluísse a frase, fui interrompido pelo frei que disse, fique tranquilo, tenha paciência. Como ele sabe que vai dar tudo certo? Pensei em silencio. Parecia ter-me decifrado. Na mesma hora olhei para um crucifixo que estava pendurado na parede do corredor e por alguns segundos imaginei qual deveria ter sido a sensação de São Francisco de Assis quando entrou naquela igrejinha na Itália e o crucifixo do altar começou a falar com ele. Certamente admiração, encantamento e medo. Sem saber exatamente o significado daquela mensagem. Então, Francesco, jovem, semidestruído por tantas dúvidas, lá permaneceu inquieto, ouvindo o repetir das mesmas santas palavras. Iniciava a reconstrução de seu interior que estava em ruínas, precisava dar sua vida em troca de muitas almas. Pensei Senhor, não consigo sentir outra coisa em meu coração!! Minha alma parecia saltar na direção da cruz. Havia me desligado de tudo naquele momento. Já não via e nem ouvia ninguém como antes. O que ainda restaria de mim naquele dia? Apenas lembro que despertei quando estava sentado na ponta da cama e com a respiração funda simplesmente olhava para as montanhas lá fora, depois dos vidros da janela de meu quarto. Os meus pensamentos estavam a quilômetros dali. À distância de uma vida. E ia despertando lentamente ouvindo a voz do frei a me chamar. Como podia ele não estar ali? Teria ele desaparecido por um minuto? Ainda há tão pouco tempo o ouvia me chamar batendo em minha porta do quarto? Cheio de alegrias, acolhida e com todos os dons de proporcionar momentos maravilhosos. Pensei, será loucura minha? Nunca havia acontecido algo dessa forma. E a principio a ideia de ter sido uma loucura me parecia divertido. Até comecei a me sentir um grande idiota. Não dizia nada sobre essas coisas e para mim eu não tinha nada para falar. Mas no meu interior, heroicamente, sempre os enfrentei. Também seria impossível não fazer, assim como seria impossível fitar-se do sol. Não era mais como antes, não sabia bem o quê, sabia apenas que estava sentindo que chegava o tempo cada vez mais rápido. Esperava por algo que nunca havia esperado em toda minha vida. Trocando segredos, entre a fé e a razão, dois universos tão distantes de uma só pessoa um tanto ingênua. Trocando ideias entre o hoje e o amanhã. Realizando experiências inarráveis. Mais da metade dos meus dias só pensava nisso. Habituei-me com isso. E na medida em que os dias passavam, os fatos direcionavam para uma só resposta. Para todo tipo diferente de ver as coisas. E cada vez mais avançava sem impor limites. As pessoas diziam tantas coisas, mas não me importava com isso. Aceitava tudo em silêncio e apenas escrevia num pequeno caderno que recordo agora partilhando com vocês por aqui. E terminei descrevendo as nuvens do céu daquele dia, com a brisa em meu rosto, pensei, um dia vou falar ao mundo como é bom ver o sol nascer de novo.. Uma estrada nova surgia além das colinas da razão humana, faziam desaparecer no horizonte a indiferença humana com suas controvérsias. Um cenário Majestoso que me dava mil motivos de ir atrás desse Mistério que nunca esteve distante. Sentir-me livre a sair descalço das ideologias perturbadoras e correr com os pés no riacho da natureza nova que emergia, fora das muralhas que impediam e dificultavam o nascer de novo, o refúgio, a mística e o afago. Os frades sempre estiveram certos: essa é a melhor profissão de fé que nos leva aos meios naturais de vida fraterna, santa e humilde. A uma oração nova de forma solene. A realização plena da vontade de se unir a Santa vontade. Numa entrega nova, numa hora Santa, diferente das as horas humanas no tempo da Graça que direciona e conduz do jeito dela. Você apenas acolhe o convite de Deus e fica esperando todo nele pronto para cumprir Sua vontade. Obrigado Senhor pelos frades conventuais!!!

      • answered by petersondecarvalho on 11/20/2012
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